Rui Tavares, no Público

Era de Manuel Alegre a voz que deu esperança aos meus pais durante a ditadura. E eram de Manuel Alegre as palavras que no preâmbulo da Constituição começaram o desenho de um país democrático. Espero que tenhamos a voz e as palavras de Manuel Alegre durante muito tempo, chegando muito longe - e como Presidente da República.

Ana Gomes, em causa-nossa.blogspot.com

O Prof. Cavaco Silva, que passa a vida a proclamar-se um "homem sério" e de uma seriedade insuperável ("terá de nascer duas vezes quem for mais sério", disse ele), compreende certamente que nas eleições presidenciais se aprecia igualmente o perfil ético, de transparência e de responsabilidade republicana dos candidatos.

Editorial, Público

Cavaco Silva tem todos os motivos para defender a sua honestidade; mas tem de aceitar que os seus adversários políticos exijam "a verdade toda" em torno da sua participação e lucros no BPN em nome "da ética republicana e a transparência democrática", como ontem exigiu Manuel Alegre. Aceita-se que Cavaco se incomode, ou mesmo indigne, quando se interroga a sua honorabilidade, mas havendo perguntas no ar sobre como, com quem e de que forma teve acções no BPN, só lhe deveria restar um pouco de humildade democrática e responder.

Rogério Sousa, no Diário Insular

No próximo dia 23 temos a possibilidade de expressar um voto para a eleição de um Presidente da República que olhe para os Açores como a região que merece ser, pela mão de quem nela vive e que nela sabe o que custa viver. Nas próximas eleições presidenciais, votar Alegre é votar Açores.

Viriato Soromenho-Marques, no DN

É visível o incómodo que o caso BPN tem provocado no candidato presidencial Cavaco Silva. Do incómodo aos actos falhados, em sentido rigorosamente freudiano, vai um pequeno passo. De uma forma surpreendente, quando interrogado por Manuel Alegre sobre os seus ganhos como accionista da labiríntica teia urdida pela Sociedade Lusa de Negócios (de que o BPN era apenas uma das criaturas), Cavaco resolve atacar a actual gerência do BPN (não a que o levou ao descalabro, e onde pontificavam ex-colaboradores do candidato-presidente, mas a que foi nomeada depois da nacionalização...), dizendo que, ao contrário do que sucedeu na Grã-Bretanha, esta não foi capaz de resolver o problema.

Paulo Querido, em http://networkedblogs.com/cvhmM

Eu não quero ter um presidente que quer os sacrifícios repartidos “por todos, sem excepções ou privilégios“. Prefiro um que me diga, com a mesma clareza, que quer os benefícios repartidos por todos, sem exceções nem privilégios. 

Daniel Oliveira, no Expresso

Quando os seus amigos andavam a brincar com o fogo no BPN, Cavaco Silva ficou calado. Quando o caso rebentou, ficou em silêncio. Quando o seu ex-ministro Dias Loureiro mentiu ao Parlamento veio em sua defesa para o tentar segurar no Conselho de Estado. Quando o BPN foi nacionalizado, deixando de fora a SLN, concordou e calou-se.

Quando resolve falar Cavaco Silva? Agora. Para criticar quem afundou o BPN num buraco de pelo menos cinco mil milhões de euros? Não. Para assumir que Dias Loureiro e Oliveira e Costa tiveram um comportamento vergonhoso? Não. O Presidente abre a boca pela primeira vez sobre o caso BPN para atacar quem, mal ou bem, recebeu o presente envenenado.

Elísio Estanque, no Público

"A campanha em curso de ataques soezes contra Manuel Alegre (...) tem como objectivo não apenas branquear a importância do nosso passado histórico recente, mas igualmente estender a passadeira ao candidato Cavaco Silva, o economista e ex-primeiro ministro cujas responsabilidades políticas no processo português de adesão à UE devem ser lembradas".

Editorial, Público

A marca que sobressaiu do único debate entre os dois verdadeiros candidatos presidenciais desta campanha foi o ressurgimento de Manuel Alegre, numa altura em que a sua campanha parecia estar soterrada pelo desinteresse dos eleitores e pelo enorme favoritismo de Cavaco Silva. Mas Alegre ganhou o debate de ontem. E, talvez mais importante do que isso, Cavaco perdeu-o.